Copa do Mundo

Aliado de Trump propõe Itália no lugar do Irã na Copa

Proposta reabre debate sobre política e futebol em ano de Mundial Paolo Zampolli, identificado como enviado especial do presidente dos […]

Proposta reabre debate sobre política e futebol em ano de Mundial

Paolo Zampolli, identificado como enviado especial do presidente dos Estados Unidos para parcerias globais, disse ao Financial Times ter sugerido ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que a seleção da Itália substitua o Irã na Copa do Mundo a ser disputada na América do Norte. A declaração reacende discussões sobre a autonomia da Fifa frente a pressões políticas e a viabilidade de uma troca de participantes em razão de tensões internacionais.

Zampolli — nascido em Milão e próximo ao círculo de Donald Trump — justificou a sugestão apontando o histórico esportivo da Itália: quatro títulos mundiais e a ausência da Azzurra no torneio após a eliminação na repescagem europeia diante da Bósnia e Herzegovina. Segundo ele, seria “um sonho” ver a Itália disputar um Mundial sediado em solo norte-americano.

Do ponto de vista jurídico-esportivo, a Fifa tem autonomia para decidir sobre eventuais substituições caso uma equipe desista. No entanto, a ocorrência prática desse mecanismo depende, antes de tudo, de uma retirada formal da seleção envolvida — cenário que, até o momento, não parece iminente.

Autoridades iranianas notificaram publicamente que o país está preparado para participar. A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, afirmou que o Ministério do Esporte e da Juventude se comprometeu a tomar “todas as providências necessárias” para viabilizar a presença da equipe no torneio. Paralelamente, o presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, disse que o país fará a preparação para a Copa, ressaltando que poderá boicotar os Estados Unidos em termos políticos, mas não o campeonato em si.

Gianni Infantino, que participou do evento Semafor World Economy 2026 nos Estados Unidos em meados de abril, também tem se mostrado favorável à manutenção da participação iraniana. O presidente da Fifa acompanhou recentemente a seleção do Irã em um amistoso contra a Costa Rica realizado na Turquia — uma escolha de palco motivada pelas atuais tensões na região — e declarou estar contente com a presença da equipe no Mundial.

Do lado americano, o próprio Donald Trump afirmou que a seleção iraniana seria “bem-vinda” no torneio, mas levantou dúvidas sobre a adequação da participação em termos de segurança e proteção aos jogadores. A questão das viagens de seleções iranianas a países considerados hostis também foi citada: Teerã impõe restrições internas sobre deslocamentos a destinos que classifica como antagônicos.

Além do aspecto esportivo, a proposta de Zampolli tem implicações diplomáticas. Observadores apontam que a movimentação pode refletir tentativas de contornar o atual clima entre Washington e Roma. Nos últimos meses, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, distanciou-se de Trump após episódios que incluíram críticas públicas do americano ao Papa e fricções sobre apoio à condução de conflitos no Oriente Médio.

O histórico pessoal de Zampolli foi igualmente lembrado na cobertura: há acusações públicas feitas por sua ex-mulher, a modelo brasileira Amanda Ungaro, que o acusa de violência doméstica e de usar influência para acelerar sua deportação dos Estados Unidos. Zampolli nega pedidos de tratamento especial junto a autoridades migratórias; registros da imprensa americana também mencionam prisões e investigações relacionadas a Ungaro, mas não comprovam relação direta entre esses fatos e a atuação do empresário junto a agências como o ICE.

Com a Copa se aproximando, a hipótese de substituição continuará a ser monitorada por federações, torcedores e governos. No curto prazo, mensagens oficiais do Irã e a declaração de Infantino têm reforçado a expectativa de que a seleção iraniana compareça ao torneio, tornando a sugestão italiana uma possibilidade remota, por ora, e sobretudo simbólica no debate sobre política e esportes.


Fonte: Jovem Pan

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