Copa do Mundo

Fifa cria categoria ‘Frontal’ e aumenta preços de ingressos

Decisão provoca críticas de torcedores que já haviam comprado assentos caros A Fifa anunciou, às vésperas da Copa do Mundo […]

Decisão provoca críticas de torcedores que já haviam comprado assentos caros

A Fifa anunciou, às vésperas da Copa do Mundo de 2026, a criação de uma nova categoria de ingressos — chamada de Categoria 1 Frontal (e, em alguns jogos, também de Categoria 2 Frontal) — que coloca assentos das primeiras fileiras à venda por preços superiores aos praticados nas faixas já comercializadas nas fases anteriores.

O movimento, registrado dois meses antes do início do torneio, reacendeu a insatisfação de torcedores que compraram ingressos da chamada Categoria 1 durante as vendas realizadas entre o outono e o inverno. Naquele processo anterior, a Fifa ofereceu bilhetes em quatro categorias e mostrou mapas indicativos que davam a entender que a Categoria 1 incluiria setores inferiores e laterais com boa visibilidade.

Depois de concluir a distribuição dos assentos, muitos compradores passaram a ser alocados em áreas próximas aos cantos, atrás dos gols ou em fileiras mais elevadas. Em seguida, a entidade passou a liberar lotes adicionais com a nova etiqueta “Frontal” e preços significativamente maiores — em alguns casos, exatamente o dobro do valor original praticado para a mesma categoria.

Exemplos que alimentaram a polêmica

Os exemplos divulgados por torcedores e checados por veículos estrangeiros ilustram o impacto financeiro da mudança. Para partidas menores, assentos promocionados antes por US$ 450 chegaram a ser oferecidos por US$ 900 nas posições frontais. No caso de um jogo em Kansas City (Argélia x Áustria), cadeiras na segunda fila de cantos do Arrowhead Stadium foram anunciadas a US$ 900 — o dobro do preço padrão da Categoria 1 em alguns jogos.

Em outros estádios, a diferença foi ainda mais visível: no BMO Field, para o jogo do Canadá, um lugar na fileira 5 de um setor lateral foi listado por US$ 3.360, contra US$ 2.240 do ingresso regular da Categoria 1; no SoFi Stadium, para Estados Unidos x Paraguai, uma poltrona na fileira 7 de um canto atingiu US$ 4.105, ante US$ 2.730 do bilhete padrão.

Para a final, a Fifa havia divulgado tarifas de Categoria 1 de até US$ 10.990, enquanto alguns jogos da fase de grupos tinham valores iniciais de US$ 450. Em mais de uma dúzia de confrontos, a etiqueta “Frontal” passou a cobrar o dobro do preço que muitos consumidores acreditavam ter adquirido quando compraram seus bilhetes no sorteio anterior.

Reações e explicações

Torcedores ouvidos por veículos internacionais manifestaram sensação de engano. Alguns afirmaram que as ilustrações e mapas apresentados inicialmente induziram à expectativa de que quem adquirisse a Categoria 1 poderia ser sorteado para setores laterais inferiores. A hipótese levantada por compradores é que parte desses setores teria sido reservada para pacotes de hospitalidade — vendidos separadamente a valores ainda mais altos — e, por isso, as melhores fileiras foram disputadas depois por preço superior.

A Fifa respondeu por e-mail que os “mapas indicativos de categorias” têm objetivo orientativo, e não refletem a disposição exata dos assentos: serviriam apenas para mostrar a extensão geral de cada faixa dentro do estádio. A entidade não detalhou quantos assentos frontais pretende vender nem por que aqueles lugares não foram alocados originalmente aos inscritos nas categorias superiores durante o processo que registrou mais de 500 milhões de solicitações.

O episódio reacende críticas sobre falta de transparência no processo de venda e sobre a política de preços do torneio. Consumidores apelam por esclarecimentos mais precisos e por mecanismos que evitem que assentos prometidos — ainda que de forma indicativa — sejam reapresentados ao mercado por valores substancialmente maiores.

Em contrapartida, a Fifa tem defendido que a política de preços reflete a prática de mercado nos Estados Unidos e a elevada demanda, além de ressaltar que os recursos gerados pela Copa são, em sua maior parte, reinvestidos no desenvolvimento do futebol mundial.


Fonte: Folha de S.Paulo

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