
Decisão da Uefa atinge atacante do Benfica após episódio contra Vini Jr.
A Uefa aplicou ao argentino Gianluca Prestianni, de 20 anos e jogador do Benfica, uma suspensão de seis partidas por comportamento classificado como discriminatório durante o jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões, em 17 de fevereiro. O episódio envolveu o atacante brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid, e motivou a ativação do protocolo antirracismo em campo na ocasião.
Na sequência do confronto, que teve repercussão imediata nas redes e na imprensa, Vinícius e membros do Real Madrid — entre eles jogadores que manifestaram apoio público como Kylian Mbappé — denunciaram suposta injúria racial. Prestianni, por sua vez, negou ter proferido ofensas racistas.
O processo disciplinar aberto pela Uefa concluiu, entretanto, que a conduta do atleta não se enquadrava como injúria racial, mas sim como uma forma de discriminação de caráter homofóbico. A mudança na tipificação do ato, reportada por veículos como a ESPN e citada nas notas oficiais, teve impacto direto na avaliação da defesa do jogador.
Da sanção de seis partidas, Prestianni já cumpriu uma — a partida de volta contra o Real Madrid, da qual permaneceu afastado de forma preventiva. Além disso, a câmara disciplinar converteu três jogos da pena em suspensão condicional, estabelecendo um período probatório de dois anos: se não houver reincidência, essas partidas não serão efetivamente cumpridas.
A Uefa informou que encaminhará pedido à Fifa para que a punição tenha validade global. Caso a entidade máxima do futebol aceite estender a suspensão, a medida poderá afetar a elegibilidade do atacante para convocações pela seleção argentina, incluindo a possibilidade de comprometimento de sua participação em competições internacionais de grande porte.
O caso reacende debate sobre protocolos disciplinares e a distinção entre diferentes tipos de discriminação no futebol. Especialistas em direito desportivo e antidiscriminação costumam apontar que a definição jurídica do que configura injúria racial, insulto homofóbico ou outras manifestações discriminatórias influencia tanto o enquadramento processual quanto a severidade das penas aplicáveis.
Para o clube e para o atleta, a decisão traz implicações esportivas e de imagem. No plano imediato, o Benfica precisará ajustar suas opções ofensivas durante o cumprimento da suspensão. Em um horizonte mais amplo, a tentativa da Uefa de solicitar a extensão da sanção à Fifa mostra que as entidades reguladoras buscam uniformizar respostas a comportamentos discriminatórios, embora a interpretação das condutas continue a gerar controvérsias.
Fontes internacionais destacaram também que a classificação por homofobia, em vez de racismo, foi entendida por alguns como uma vitória parcial da defesa de Prestianni, já que afastou a tipificação que vinha sendo debatida desde o dia do jogo. Ainda assim, a imposição de vários jogos de suspensão indica que a Uefa entendeu existir material probatório suficiente para punir o ato como discriminatório.
O desfecho administrativo será acompanhado nas próximas semanas, sobretudo pelo encaminhamento da Uefa à Fifa e pela eventual decisão desta sobre a extensão da pena em âmbito mundial. Enquanto isso, a discussão permanece viva sobre como clubes, federações e instâncias internacionais devem agir para prevenir e sancionar todas as formas de discriminação dentro e fora de campo.
Fonte: Jovem Pan
