
Após uma semana de boicote, Cristiano Ronaldo decidiu retomar as atividades com o Al Nassr depois de um acordo fechado com os diretivos do futebol saudita, informou o canal NOW. A tendência é que o atacante de 41 anos esteja à disposição para a partida do próximo sábado, diante do Al Fateh, válida pela próxima rodada do Campeonato Saudita.
Segundo a emissora, a conciliação ocorreu em reunião entre representantes do clube e membros do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF). Como parte do entendimento, os salários atrasados da equipe do Al Nassr foram regularizados e o PIF liberou os recursos necessários para o restante da temporada, com o objetivo de evitar novos atrasos no pagamento dos jogadores.
Além da questão financeira, a reorganização administrativa do clube também fez parte do acordo: José Semedo reassume o cargo de CEO do Al Nassr, devolvendo à gestão um comando que havia sido alvo de críticas internas. A volta de Semedo foi apontada como uma das medidas para pacificar os desentendimentos entre atletas e a direção que responde ao PIF.
O protesto de Ronaldo começou depois que o fundo não autorizou aportes para reforços do Al Nassr durante a janela de inverno — um fato que irritou o jogador diante do investimento do rival Al Hilal, que gastou cerca de 70 milhões de euros em contratações. Enquanto isso, o Al Nassr trouxe apenas duas contratações de custo baixo, movimento que alimentou a insatisfação pública e privada de CR7.
Como consequência direta da paralisação, o português não entrou em campo nas duas partidas mais recentes do clube: vitória por 1 a 0 sobre o Al Riyadh e derrota por 2 a 0 para o Al Ittihad. A expectativa é de que ele seja titular no sábado, já que o treinador Jorge Jesus tem poupado o jogador nas partidas da Liga dos Campeões da Ásia 2 e dificilmente levará Ronaldo para a partida do meio de semana, contra o Arkadag, no Turcomenistão.
O retorno, contudo, não chega sem riscos para o atacante. A imprensa local aponta a possibilidade de sanções internas pela ausência voluntária, que podem variar de multa contratual a cortes salariais, dependendo de avaliações disciplinares do clube e do PIF.
O episódio também aumentou a incerteza sobre o futuro do técnico Jorge Jesus no comando do Al Nassr. O treinador português, de 71 anos, deixou de conceder entrevistas nas duas últimas rodadas e condicionou qualquer conversa sobre renovação de contrato — cujo término atual é em junho — à definição do panorama envolvendo Cristiano Ronaldo. Assim, a permanência de Jesus na Arábia Saudita pode ficar ligada ao desfecho da situação do craque.
Em termos de competição, o Al Nassr chega a esse momento ocupando a segunda colocação do Campeonato Saudita, apenas um ponto atrás do líder Al Hilal. A volta de Ronaldo, se confirmada como titular, surge como tentativa de manter a equipe na briga pelo topo da tabela, além de apaziguar as relações internas que ficaram abaladas com a paralisação.
Resumidamente, o acordo com o PIF — pagamento dos salários em atraso, liberação de verbas para o resto da temporada e mudança na gestão executiva — foi o elemento decisivo para pôr fim à greve. Resta agora à direção e ao elenco transformar esse entendimento em rendimento dentro de campo e em estabilidade administrativa nos próximos meses.
Fonte: Notícias ao Minuto
