
Brasil inicia participação em Milão-Cortina com saída precoce no esqui cross-country
Na primeira prova do país nos Jogos de Inverno de Milão e Cortina, realizadas nesta terça-feira (10), os representantes brasileiros no esqui cross-country não conseguiram avançar além da fase classificatória do sprint livre de 1,5 km.
Na disputa feminina, Eduarda Ribera completou o percurso em 4min17s05 e ficou na 73ª posição, enquanto Bruna Moura terminou em 76º, com 4min22s07. Para seguir às quartas de final era preciso figurar entre as 30 atletas mais rápidas; esse critério determinou a eliminação das duas brasileiras.
No masculino, Manex Silva obteve o melhor desempenho histórico do Brasil na modalidade ao marcar 3min25s48 e finalizar em 48º lugar. Ainda assim, com um pelotão de 95 competidores e apenas os 30 primeiros classificados para a fase seguinte, ele também ficou de fora da etapa eliminatória.
O resultado marcou a estreia oficial da delegação brasileira nos Jogos de Inverno — que vão de 6 a 22 de fevereiro — e ocorre com o país apresentando a maior equipe de sua história para a competição: 14 atletas, além de um reserva na prova de bobsled.
Apesar da eliminação nas pistas, a participação teve momentos de emoção. Bruna Moura chorou ao falar sobre a realização do sonho olímpico em entrevista à televisão: a atleta remontou a trajetória de recuperação após um grave acidente de carro em janeiro de 2022, ocorrido na Itália quando ela se dirigia ao aeroporto para embarcar rumo à sua primeira Olimpíada, em Pequim. O acidente resultou em oito fraturas, deixou-a dois meses sem caminhar e exigiu cerca de um ano e meio de fisioterapia até voltar a competir.
O formato do sprint livre determina que todos os competidores completem a distância no tempo mais rápido possível em uma fase classificatória individual; somente os 30 melhores tempos avançam para as quartas de final, que têm duelos diretos com número reduzido de vagas para as semifinais e, depois, para a final. Neste dia de provas, a diferença entre os classificados e os demais foi substancial, demonstrando o nível elevado do pelotão europeu e de países com tradição na neve.
Para o Brasil, a presença nas pistas europeias é parte de um esforço de longo prazo para ampliar a participação em esportes de inverno. O resultado de Manex Silva, embora insuficiente para avançar, foi destacado nos bastidores como um progresso técnico: trata-se do melhor posicionamento masculino do país em provas de esqui cross-country em Jogos ou grandes competições recentes.
Nas próximas jornadas da programação, a delegação brasileira seguirá com outros atletas em modalidades diversas, e as expectativas se concentram tanto em buscar melhores resultados quanto em consolidar a experiência olímpica. A participação em Milão-Cortina tem caráter simbólico e competitivo: além de tentar se aproximar das marcas internacionais, o contingente busca visibilidade para modalidades ainda pouco desenvolvidas no país e construir base para as próximas temporadas.
Fonte: Folha de S.Paulo
