
Kimi Antonelli assume protagonismo na temporada
Ao completar 19 anos em agosto, Andrea Kimi Antonelli se tornou o mais jovem líder da história da Fórmula 1. Em sua segunda temporada na categoria, o piloto da Mercedes venceu três das quatro etapas disputadas, incluindo o GP de Miami, e chega ao topo do campeonato com 100 pontos, diante de um cenário em que a equipe parece ter melhor se adaptado ao novo regulamento técnico.
A trajetória de Antonelli chama a atenção tanto pelos números quanto pela postura. Integrado à academia da Mercedes desde 2019 e anunciado como substituto do heptacampeão Lewis Hamilton ainda muito jovem, ele ganhou espaço na escuderia depois de uma carreira acelerada: começou a correr de kart aos sete anos, acumulou títulos nas categorias de base, saltou etapas e chegou à F1 sem passagem pela F3. É filho de Marco Antonelli, ex-piloto e hoje proprietário de equipe na Itália.
O próprio ambiente da Mercedes, que apostou em sua contratação, destaca a capacidade emocional do jovem. O chefe de equipe Toto Wolff afirmou que Antonelli tem mostrado calma para separar situações e foco no que vem à frente — uma referência à resiliência mental que o grupo considera essencial para quem disputa corridas ao mais alto nível.
Apesar do início meteórico, a entrada de Antonelli na F1 também teve desafios. Na temporada de estreia, ele anotou marcas importantes — pontuou nas três primeiras provas da carreira, algo inédito desde 1965, teve a melhor pontuação de um novato no sistema atual e foi um dos mais jovens a subir ao pódio —, mas passou por uma fase de maus resultados e cometeu erros em Spa-Francorchamps que o abalaram emocionalmente. O piloto confessou ter chorado e vivenciado dúvidas sobre sua compostura, episódio que foi entendido por muitos como sinal de maturidade por sua franqueza.
O começo forte de 2026 reforça a impressão de evolução. Com a Mercedes aparentemente melhor ajustada às mudanças nas regras, Antonelli aparece na liderança com 100 pontos, seguido pelo companheiro George Russell, com 80. Charles Leclerc (Ferrari) tem 63 pontos; Lando Norris (McLaren), 51; e Lewis Hamilton (Ferrari), 49.
Russell, de 28 anos, já obteve vitórias e pódios nesta temporada: venceu em Melbourne e teve colocações como segundo em Xangai e quarto em etapas como Suzuka e Miami. Dois GPs previstos em Bahrein e Arábia Saudita foram cancelados por causa de conflitos no Oriente Médio, reduzindo o calendário a 22 etapas nesta disputa.
Além do desempenho técnico, a figura de Antonelli tem gerado empolgação na Itália. O país não tem um campeão mundial desde Alberto Ascari, na década de 1950, e não via um triunfo italiano na categoria desde 2006, quando Giancarlo Fisichella venceu na Malásia. O tetracampeão Max Verstappen destacou que acompanha Antonelli desde o kart e elogiou sua tranquilidade e velocidade naturais.
Fora das estatísticas, o jovem mostra referências afetivas: é fã de Ayrton Senna, visitou o túmulo do ídolo no cemitério do Morumbi durante sua primeira corrida no Brasil, doou o capacete usado em Interlagos ao acervo da família Senna e já declarou que Senna é seu herói no automobilismo. Outro detalhe curioso de sua biografia é que, quando anunciado como substituto de Hamilton, Antonelli ainda não tinha carteira de motorista — a licença para carros de passeio foi obtida apenas dois meses antes do início do calendário de 2025.
Antonelli define seu momento como “apenas o começo” e encara a temporada como uma disputa longa. A combinação de resultados, apoio da equipe e uma postura pública que mistura honestidade sobre dificuldades e frieza competitiva tornou o jovem piloto uma das histórias centrais da F1 em 2026.
Fonte: Folha de S.Paulo
