Fórmula 1

Ferrari mira expertise da F-E para acelerar evolução do motor

Ferrari reforça equipe de potência com nome vindo da Fórmula E A Scuderia intensificou o desenvolvimento da unidade de potência […]

Engenheiro da Ferrari examinando motor em bancada de testes, com dados técnicos. Imagem de engenharia de alta precisão.

Um engenheiro da Ferrari examina um motor em seu laboratório, buscando otimização para o regime ADUO.

Ferrari reforça equipe de potência com nome vindo da Fórmula E

A Scuderia intensificou o desenvolvimento da unidade de potência 2026 apoiando-se nas concessões ADUO e na contratação de um engenheiro vindo da Fórmula E para atacar as fragilidades elétricas do conjunto.

Maxime Martinez concluiu o período de licença obrigatório após sua saída da equipe da Nissan na Fórmula E e desembarcou em Maranello como engenheiro de desempenho da unidade de potência. Martinez traz também experiência anterior na Mercedes, onde trabalhou em Brixworth como engenheiro de controlo de motores — um currículo que a Ferrari considera útil para a delicada tarefa de gerir o sistema elétrico e a recarga das baterias.

Onde está a Ferrari e o que precisa mudar

Segundo a análise técnica que orienta as intervenções, o motor 067/6 da Ferrari apresenta boa performance em faixa média de potência, mas fica aproximadamente 25 cavalos atrás da unidade da Mercedes em potência máxima, sobretudo nos momentos de pico a partir da metade das retas. Essa diferença concentra-se no rendimento em rotações mais elevadas, enquanto a Scuderia costuma privilegiar uma curva de torque agressiva em regimes baixos.

Os engenheiros de Maranello identificaram que parte dessa reserva poderia ser realocada: transferir uma porção do binário de baixas rotações para regimes mais altos ajudaria tanto a alcançar potência máxima quanto a melhorar a recarga da bateria através do chamado superclipping — uma estratégia que depende do equilíbrio entre motor térmico, turbo e sistemas elétricos.

Opções de projeto e apostas aerodinâmicas

A Ferrari adotou um conceito térmico extremo: o motor opera a temperaturas elevadas para permitir radiadores menores. O objetivo é reduzir massa e, sobretudo, arrasto aerodinâmico, convertendo ganhos de eficiência de refrigeração em vantagem de velocidade. Para conseguir isso, a unidade foi projetada para trabalhar permanentemente em rotações altas — especialmente em marchas curtas —, o que favorece o acúmulo de energia e o efeito de sopro dos gases do escapamento.

Essa escolha de projeto não foi neutra: estima-se que cerca de dez cavalos tenham sido sacrificados na fase de concepção em troca de benefícios aerodinâmicos. A Scuderia aposta que, com ajustes finos no gerenciamento elétrico e no mapeamento do turbo, será possível recuperar desempenho sem perder a pasta aerodinâmica conquistada.

Calendário técnico e condicionantes regulatórias

A Ferrari aguarda a aprovação das concessões ADUO depois que a FIA recolher os dados em Miami; se confirmadas, as permissões estariam disponíveis a partir de Mônaco. O plano de Maranello prevê a estreia de uma segunda unidade de potência já no GP do Canadá, mantendo a atual nas sessões livres, e a introdução de uma terceira unidade com as atualizações derivadas do ADUO a partir do GP da Bélgica, em 19 de julho.

No entanto, esse roteiro técnico pode ser afetado por mudanças no regulamento. Estão previstas discussões sobre o regulamento esportivo e reuniões técnicas que podem trazer propostas de alteração, e qualquer ajuste de regras nas próximas semanas poderia condicionar prazos e conteúdo das atualizações.

O objetivo final

Com Enrico Gualtieri à frente do projeto na Ferrari e Hywel Thomas liderando a unidade de potência da Mercedes, a missão de Maranello é estreitar a lacuna técnica que tem permitido à rival obter vantagem em potência de pico. A combinação de experiência trazida por Martinez, uso estratégico das concessões ADUO e ajustes no comportamento térmico e elétrico do motor compõe a aposta da Ferrari para reabrir a disputa pelo título neste ano, hoje dominada por pilotos como Kimi Antonelli e George Russell.


Fonte: Motorsport.com

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