
McLaren encara 2026 como novo começo sem perder o que funciona
A McLaren chega a 2026 após confirmar em 2025 a recuperação completa de seu projeto: o bicampeonato de construtores culminou com a vitória em Singapura e o título de pilotos de Lando Norris. Mas a maior reviravolta regulamentar em décadas coloca a equipe diante de perguntas fundamentais sobre o que pode ser transferido do sucesso recente.
Regulamentação técnica e a difícil tarefa de reescrever o carro
O pacote de 2026 implica mudanças profundas em chassi, aerodinâmica e unidade de potência. Na prática, isso reduz a transmissão automática de soluções que funcionaram no último ciclo: componentes e detalhes aerodinâmicos concebidos para 2025 tenderão a perder relevância. Ainda assim, a McLaren sustenta que elementos estruturais — como busca por eficiência aerodinâmica, interação com os pneus e gestão de resfriamento — mantêm valor e podem orientar o trabalho de reengenharia.
Do know‑how à reinvenção: equilíbrio entre preservar e inovar
Segundo o chefe de equipe Andrea Stella, embora parte do conhecimento acumulado seja aplicável, outra parcela precisará ser reinventada para a nova era. A equipe aposta em metodologias de desenvolvimento e processos internos que, mesmo diante de peças e conceitos inéditos, podem acelerar o aprendizado e limitar o período de adaptação — fator crucial num campeonato em que pequenos ganhos iniciais podem definir temporadas inteiras.
Motor Mercedes: continuidade e confiabilidade como trunfo
A manutenção da parceria com a Mercedes para fornecimento de unidade de potência é uma das poucas constantes positivas no cenário de 2026. Os primeiros sinais nos ensaios de Barcelona foram favoráveis: a PU da marca alemã impressionou pela performance e aparente confiabilidade, dando à McLaren uma base técnica relativamente estável sobre a qual construir o novo projeto.
Reforços e gestão esportiva
Internamente, a chegada de Will Courtenay, ex‑Red Bull contratado originalmente em 2024, fortalece a organização esportiva em Woking. Courtenay traz experiência de um ambiente que soube dominar ciclos regulatórios recentes, e sua integração pode acelerar decisões operacionais e a gestão de corrida em uma fase em que adaptação e resposta rápida a problemas serão determinantes.
Dupla Norris‑Piastri: estabilidade técnica, tensão competitiva
No cockpit, a McLaren parte para 2026 com a sólida dupla formada por Lando Norris e Oscar Piastri. Norris chega com a confiança do título, enquanto Piastri, terceiro colocado em 2025, busca voltar ao ritmo que lhe prometia ainda melhor resultado. A equipe promete um quadro de regras internas mais simples para reduzir atritos, mantendo tratamento equivalente entre os pilotos.
Gerir a competição interna sem sacrificar desempenho
Piastri reconheceu que a equipe viveu momentos de desconforto em 2025 que poderiam ter sido evitados e defendeu ajustes para preservar os efeitos positivos de uma dupla de ponta — sobretudo em termos de desempenho e de desenvolvimento do carro. A McLaren encara, portanto, não só um desafio técnico, mas também de gestão humana e esportiva para extrair o melhor de ambos.
Conclusão: vantagem metodológica em terreno nivelado
Se a mudança de regras tende a nivelar o campeonato no curto prazo, a McLaren aposta que sua vantagem vem da combinação entre fundamentos técnicos sólidos, processos de trabalho refinados, continuidade com a Mercedes e reforços na direção esportiva. O sucesso em 2026 dependerá de quanto desse patrimônio pode ser convertido rapidamente em soluções concretas para o MCL40 e de como a equipe gerirá a dinâmica entre seus pilotos em pistas onde cada detalhe fará diferença.
Fonte: Motorsport
