
Julio Casares renuncia à presidência do São Paulo após impeachment no Conselho
Julio Casares anunciou sua renúncia ao cargo de presidente do São Paulo na noite de quarta-feira (21), horas após derrota na votação do Conselho Deliberativo que aprovou o prosseguimento do processo de impeachment. A decisão foi comunicada por meio de uma carta pública divulgada nas redes sociais, antecipando a assembleia geral de sócios que poderia confirmar sua destituição definitiva.
A saída de Julio Casares ocorre em um contexto de forte pressão política e denúncias contra sua gestão. No Conselho Deliberativo, realizado na sexta-feira passada, 188 conselheiros votaram a favor do impeachment, com 45 contra e dois em branco. O requerimento para a reunião extraordinária foi protocolado em 23 de dezembro por conselheiros da oposição, do grupo Salve o Tricolor Paulista, com 57 assinaturas, incluindo 13 de membros de grupos de situação.
Crise política e denúncias marcam gestão de Casares
Na carta de renúncia, Julio Casares adotou um tom firme, acusando articulações políticas, distorções e ataques pessoais. Ele afirmou: “Diante da continuidade desse ambiente, da necessidade de preservar minha saúde e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, bem como para evitar que essa disputa política continue a prejudicar o time de futebol e o ambiente esportivo do clube, apresento minha renúncia ao cargo de Presidente, com efeitos a partir desta data, antecipando, inclusive, o exercício do direito estatutário de aguardar a Assembleia Geral“. O ex-presidente negou irregularidades em sua gestão e esclareceu que a renúncia não configura confissão de culpa, visando preservar o clube e sua família de um ambiente “contaminado” por narrativas sem provas robustas.
A gestão de Julio Casares, iniciada em 2021, foi marcada por conquistas como o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil de 2023. No entanto, também registrou aumento significativo da dívida do clube, que saltou de R$ 635 milhões em 2021 para R$ 968 milhões em 2024, além de crises políticas e administrativas. Em 2025, denúncias sobre o uso clandestino de um camarote no Morumbi e investigações da Polícia Civil e do Ministério Público sobre movimentações financeiras suspeitas, incluindo depósitos fracionados em seu nome e comercialização ilegal de camarotes, intensificaram o desgaste e culminaram no pedido de impeachment.
O São Paulo se declara vítima nesses processos investigativos. Com a renúncia, Casares evita a perda de direitos políticos, que ocorreria apenas em caso de impeachment aprovado na assembleia de sócios, agora cancelada. Aliados do ex-presidente apuraram que a renúncia foi vista como caminho mais adequado para minimizar o desgaste institucional, após resistência inicial do dirigente.
Harry Massis Júnior assume até 2026
Com a vacância do cargo, o vice-presidente Harry Massis Júnior, de 80 anos, assume a presidência de forma interina até o fim do mandato, em dezembro de 2026. Massis herdará um cenário de instabilidade política, com prioridade para evitar novas rupturas imediatas, segundo seus aliados. A transição altera o panorama político interno do Tricolor, em um dos períodos mais críticos de sua história recente, com o clube enfrentando grave crise financeira beirando R$ 1 bilhão e pressões externas.
A renúncia de Julio Casares encerra formalmente sua gestão à frente do São Paulo, deixando o clube em uma nova fase administrativa sob liderança interina. O episódio reflete as tensões acumuladas no Morumbi, agravadas por protestos de torcedores durante a votação do Conselho e o ambiente de disputas políticas que impactaram o desempenho esportivo.
Fonte: BandSports UOL
