
Bragantino multa zagueiro por declarações contra árbitra
O Red Bull Bragantino anunciou nesta segunda-feira que o zagueiro Gustavo Marques sofreu punição interna após declarações consideradas misóginas dirigidas à árbitra Daiane Muniz, feitas após a derrota por 2 a 1 para o São Paulo, pelas quartas de final do Campeonato Paulista.
Sanção financeira e afastamento: O clube aplicou uma multa correspondente a 50% do salário do atleta e informou que ele não será relacionado para o jogo contra o Athletico Paranaense, marcado para quarta-feira pelo Campeonato Brasileiro. Segundo a nota oficial, o montante descontado será repassado à ONG Rendar, que atua em apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade em Bragança Paulista.
Marques, de 24 anos, autor do gol do Bragantino na partida, criticou a arbitragem ainda no gramado, sugerindo que erros da arbitragem se deveriam ao fato de a árbitra ser mulher. As declarações geraram ampla repercussão negativa e, após a manifestação pública, o jogador procurou se retratar.
Retratação e pedido de desculpas: Em entrevista concedida na saída do estádio, o jogador afirmou arrependimento e pediu desculpas às mulheres em geral, reconhecendo que havia proferido afirmações inadequadas no calor do momento. Segundo relatos, Marques também foi falar diretamente com a árbitra para manifestar seu pedido de desculpas.
Posicionamento da Federação Paulista: A Federação Paulista de Futebol (FPF) divulgou nota em que repudia as declarações e ressalta a qualificação de Daiane Muniz, destacando sua condição de árbitra credenciada pela FPF, CBF e FIFA. A federação informou que encaminhará o caso à Justiça Desportiva para as providências disciplinares cabíveis.
Além da punição pelo clube, o episódio abre espaço para possíveis medidas formais no âmbito disciplinar do futebol estadual. A FPF deixou claro que vê com indignação as falas e que acompanhará o desenrolar do processo junto aos órgãos competentes.
Contexto e antecedentes: O atleta tem passagem por clubes como América-MG e Benfica em categorias anteriores, e vinha sendo aproveitado pelo Bragantino na temporada. A aplicação da multa e a decisão de não relacioná-lo para a partida do Campeonato Brasileiro representam um recuo imediato da diretoria diante da repercussão pública.
Do ponto de vista institucional, o repasse do valor da multa para uma organização local que atende mulheres em vulnerabilidade foi destacado pelo clube como tentativa de transformar o episódio em ação concreta de reparação social. Resta agora acompanhar se a Justiça Desportiva aplicará outras sanções, como suspensão em competições oficiais, além das medidas internas adotadas pelo clube.
O caso também reacende debates sobre comportamento de atletas, responsabilidade institucional dos clubes e o tratamento de profissionais do árbitro, em especial mulheres, no futebol brasileiro. A repercussão sugere que clubes, federações e autoridades disciplinares voltaram a avaliar a necessidade de medidas educativas e punitivas mais claras para episódios semelhantes.
Enquanto isso, o Bragantino prepara a equipe para o compromisso do Campeonato Brasileiro sem a presença do defensor punido, e a expectativa é que a diretoria acompanhe de perto o processo disciplinar aberto pela FPF.
Fonte: Notícias ao Minuto Brasil
