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Del Potro vê potencial em João Fonseca, pede tempo

Del Potro avalia Fonseca e o cenário do tênis latino-americano Juan Martín Del Potro, último latino-americano a conquistar um Grand […]

Del Potro avalia Fonseca e o cenário do tênis latino-americano

Juan Martín Del Potro, último latino-americano a conquistar um Grand Slam com o título do US Open em 2009, fez uma leitura cuidadosa da nova geração ao comentar o desenvolvimento do brasileiro João Fonseca. Em entrevista à AFP em São Paulo, o argentino destacou a qualidade técnica e a força de Fonseca, mas foi enfático ao afirmar que o jovem necessita de mais tempo e experiência para transformar potencial em conquistas nos maiores torneios.

Del Potro apontou que o tênis contemporâneo privilegia a potência e, nesse aspecto, Fonseca já tem atributos importantes: golpes fortes e um jogo compatível com as demandas físicas e de velocidade do circuito atual. Ainda assim, segundo o ex-top do ranking, a evolução para competir com os melhores exige maturidade e um processo de aprendizado que costuma incluir derrotas e confrontos repetidos contra adversários de alto nível.

Ao analisar a possibilidade de um novo campeão latino em Grand Slams, Del Potro lembrou a atual hegemonia da nova elite — citou nomes como Carlos Alcaraz e Jannik Sinner — e avaliou que eles dominaram os últimos torneios maiores. Por isso, conquistar um Major na próxima safra, na avaliação do argentino, será uma tarefa árdua, embora não impossível.

O ex-jogador também mencionou outros representantes da região que vêm ganhando espaço no circuito. Ele citou Francisco Cerúndolo como um exemplo de tenista que já acumula trajetória no ATP e que está se aproximando de níveis mais altos de ranking. A leitura de Del Potro combina otimismo cauteloso com a lembrança de que a carreira de um jogador se constrói ao longo de anos.

Del Potro, que encerrou a carreira em 2022, participou recentemente de partidas de exibição ao lado de nomes como Diego Schwartzman, Andy Roddick e o brasileiro Fernando Meligeni, eventos que funcionaram como aquecimento para o Challenger Latin America Open. Nessas ocasiões, reforçou sua proximidade com o público sul-americano e sua visão sobre a formação de novos talentos na região.

Ao relembrar sua própria trajetória, o argentino usou a experiência pessoal para ilustrar seu conselho a jovens tenistas: ele perdeu várias vezes para Roger Federer antes de derrotá-lo na final de Flushing Meadows, e disse que encarar e perder para adversários melhores faz parte do processo de desenvolvimento. Essa repetição — enfrentar, estudar, ajustar e vencer — é, para Del Potro, um caminho necessário para ganhar confiança e resultados nas etapas decisivas.

Além da análise sobre jogadores, Del Potro tocou em preocupações mais amplas do calendário do tênis. Questionado sobre a criação de um Masters 1000 na Arábia Saudita previsto para 2028 e os possíveis efeitos sobre torneios tradicionais na América do Sul, afirmou não ter detalhes suficientes, mas expressou desejo de que a história e a paixão do público sul-americano sejam respeitadas pela organização do circuito.

Em suma, a mensagem de Del Potro combina elogio técnico a Fonseca — potencial, potência e golpes — com um recado prático: o tempo, a experiência em jogos grandes e a capacidade de aprender com derrotas são elementos fundamentais para que a nova geração transforme promessa em títulos de peso.


Fonte: Folha de S.Paulo

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