
Uma vida entre dribles, festa e feridas
A série documental “Ronaldinho Gaúcho”, dirigida por Luis Ara e produzida pela Canal Azul e Trailer Films, chega à Netflix em 16 de abril com três episódios que cruzam imagens inéditas, depoimentos de colegas e momentos íntimos do ex-jogador. A produção busca mapear tanto os êxitos que fizeram dele um ícone global — sobretudo no Barcelona, entre 2003 e 2008 — quanto episódios pessoais que marcaram sua trajetória.
Ao longo da obra, amigos e adversários reconstroem a carreira: Lionel Messi e Neymar aparecem em relatos sobre a influência do brasileiro, enquanto nomes como Cafu, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Felipão, Carles Puyol e o narrador Galvão Bueno ajudam a contextualizar o tamanho do atleta em sua geração. O registro reúne também material da infância e da formação no futsal, apontados como alicerces da habilidade que lhe rendeu a Bola de Ouro da Fifa em 2005 e o reconhecimento de melhor do mundo em 2004 e 2005.
O charme dos “rolês aleatórios”
Além da carreira em campo, a série explora a faceta pública de Ronaldinho como celebridade multifacetada: participações em programas e reality shows (incluindo uma versão turca de No Limite), incursões na moda, na música e até atuações no cinema ao lado de figuras como Mike Tyson. Os autores sublinham o comportamento errático e espontâneo que rendeu ao jogador o apelido de “rei dos rolês aleatórios” — um traço que ele próprio sintetiza em uma fala presente no documentário: “Não sou casado, não há nada que me prenda, então eu vou vivendo”.
As sombras e o luto
O filme não evita episódios dolorosos. Mostra-se a perda do pai, João, ocorrida em 1989, e o impacto desse luto sobre Ronaldinho e seu irmão Assis — este último personagem central na gestão da carreira do craque. Arquivos e depoimentos tratam da importância da família nas decisões que moldaram tanto a ascensão quanto os caminhos pessoais da dupla.
Prisão no Paraguai: um ponto de ruptura
Um dos momentos mais delicados relembrados é a detenção de Ronaldinho e de Assis no Paraguai, em março de 2020, por entrada com documentos falsos. A série recupera os episódios da prisão — que durou quase seis meses — e as audiências que culminaram na autorização judicial para o retorno ao Brasil. Em um dos trechos, Ronaldinho confessa que “ficar preso foi o pior momento”; Assis, por sua vez, assume responsabilidades pela falha de vigilância.
Retorno triunfal e legado em Belo Horizonte
O episódio final acompanha o retorno do jogador ao futebol brasileiro e a passagem marcante pelo Atlético-MG, destacando a campanha da Copa Libertadores de 2013. A virada contra o Olimpia, no Mineirão — após derrota por 2 a 0 no jogo de ida e reação que levou a decisão para os pênaltis — é retratada como ponto de consagração local: Ronaldinho foi celebrado como o “Rei de Belo Horizonte”, embora nem tenha sido necessário bater a sua cobrança nas penalidades.
Ao conjugar arquivos pessoais, entrevistas de grandes nomes do esporte e o olhar de quem acompanhou os dias de glória e as crises, a série traça um retrato ambíguo: há talento e encanto, mas também feridas e escolhas controversas. A produção tenta explicar por que, mesmo em meio a turbulências, Ronaldinho continua a atrair olhares e convites para os mais variados palcos.
Fonte: F5
