
Por que as largadas têm prejudicado Verstappen em 2026
Max Verstappen, tetracampeão mundial, enfrenta um começo de temporada atípico em 2026: ocupa a oitava colocação no mundial e vem perdendo posições nas largadas — um problema que tem se repetido desde o GP da Austrália até a rodada na China.
Os sinais começaram em Melbourne, onde Verstappen largou em 20º após um incidente no Q1, mas conseguiu recuperar-se até o sexto lugar. Ainda assim, a equipe identificou ali uma falha recorrente: uma resposta insuficiente do motor no momento do arranque, atribuída à “falta de bateria”, segundo o próprio piloto. O colega de equipe Isack Hadjar chegou a ter uma arrancada explosiva partindo da terceira posição, mas também sofreu perda de desempenho súbita por falta de energia e acabou forçado ao abandono.
Na China, o quadro se agravou. A Red Bull mostrou déficit de ritmo ao longo de todo o fim de semana, algo que ficou evidente já na classificação para a sprint: Verstappen terminou em oitavo, cerca de 1,7s atrás da pole de George Russell, e apenas duas posições à frente de Hadjar. No sprint, caiu rapidamente para 15º na primeira volta e acabou sem pontos — sua primeira sprint sem pontuar desde a introdução do formato, em 2021.
Os novos regulamentos técnicos de 2026 são parte central da explicação técnica: com a retirada do MGU-H, o procedimento de largada mudou. Agora os turbos precisam ser ativados por rotações mais elevadas por períodos prolongados, e os pilotos dependem mais da acumulação de energia elétrica na volta de formação para garantir aceleração imediata ao soltar a embreagem. Segundo relatos da equipe e do próprio piloto, Verstappen não tem conseguido esse acúmulo e, consequentemente, não obtém a potência necessária no lançamento.
O problema, portanto, não se resume a uma perda de equilíbrio ou acerto de chassi: trata-se de uma interação entre a nova arquitetura de motopropulsão e a gestão de energia em condições de largada. Verstappen resumiu a sensação de forma crua: ao soltar a embreagem, “o motor não responde”, deixando-o sem tração e sem capacidade de manter posições nas primeiras curvas.
Além do impacto imediato nas largadas, a Red Bull também teve dificuldades de desempenho em Xangai: o carro foi descrito como sem ritmo e com muito desgaste de pneus (graining), o que limitou a possibilidade de recuperação durante as corridas. Na prova principal da China, Verstappen abandonou na 46ª volta com uma falha no motor quando ocupava a sexta posição — mais um revés que acentuou a sensação de fragilidade técnica da equipe naquele fim de semana.
Enquanto Hadjar conseguiu somar pontos (oitavo na prova), a situação de Verstappen levanta questões sobre se a Red Bull está diante de um simples desajuste de pacote para determinadas pistas ou de limitações mais profundas na integração entre motor e sistemas elétricos sob o novo regulamento. A equipe trabalhou durante os intervalos entre corridas prometendo correções, mas os resultados em Xangai mostram que a solução não foi completa.
O episódio também reacendeu debates dentro do paddock sobre a transição técnica em 2026: equipes e pilotos ainda se adaptam a requisitos diferentes de funcionamento do turbo e das estratégias de recuperação de energia. Para Verstappen, a consequência prática é clara — largadas ruins que comprometem a estratégia de corrida e aumentam a pressão sobre a equipe para encontrar respostas rápidas.
Na sequência do calendário, a Red Bull terá pouco tempo para diagnosticar com precisão se as falhas de largada são sintomas de acerto de pilotagem, de software de controle de potência, de arquitetura do motor ou de um conjunto desses fatores. A correção exigirá sintonizar a gestão de bateria na volta de formação, ajustar mapas de motor e, possivelmente, alterações no conjunto da unidade motriz.
Se a Red Bull conseguir resolver a questão técnica, Verstappen pode voltar a explorar o potencial do carro em corridas; se não, a temporada de 2026 assume um tom diferente para um piloto acostumado a começar na frente e controlar provas desde a largada.
Fonte: Motorsport
