
Engenheiro da Ferrari avalia vídeo da asa dianteira da Mercedes, buscando irregularidades.
Trabalho em Maranello não para apesar da pausa no calendário
Em visita à sede da equipe italiana, a impressão é clara: a interrupção de abril nas corridas não reduziu o ritmo em Maranello. Segundo o diretor técnico Loïc Serra, o que se observa por fora como um período de folga é, na prática, continuidade de um programa de desenvolvimento traçado há meses.
Desenvolvimento do SF‑26 e o papel do trabalho virtual
Serra explicou que o projeto do SF‑26 nasceu ainda no início de 2025 e passou grande parte do ciclo sendo aprimorado de forma virtual. Assim, quando o carro chega às primeiras corridas, muito do que é testado já foi definido por simulações e análises em bancada. Esse fluxo de trabalho torna a ausência de um ou dois fins de semana menos prejudicial do ponto de vista estratégico: a equipe segue um roteiro de médio prazo que não se altera radicalmente por uma pausa.
Impacto prático de perder etapas
Na visão do diretor técnico, correr mais oferece mais aprendizado, mas perder duas provas implica apenas um “congelamento” temporário na correlação entre dados de pista e simulador. Em termos práticos, a Ferrari perdeu a oportunidade de recolher informações específicas — por exemplo, comportamentos de pneus em traçados como Jeddah — mas tem material de testes, como os ensaios de pré‑temporada no Bahrein, que mitigam parcialmente essa lacuna.
Atualizações: pacotes versus incrementos
Sobre a política de trazer peças novas, Serra distinguiu dois modelos: desenvolvimentos incrementais e pacotes maiores. A Ferrari tende a trabalhar com um plano que privilegia avanços coordenados, considerando custos e o efeito de cada mudança em todo o carro. Para ele, a lógica de lançar uma atualização apenas para um fim de semana não é necessariamente a melhor solução, dependendo do tamanho e do objetivo da melhoria.
Correlações e análise de dados na pausa
Com menos fins de semana de corrida, a equipe passa a dedicar mais tempo à exploração do conjunto de dados já disponível. Serra confirmou que, embora as entradas de pista fiquem estáticas por algumas semanas, esse é um momento para aprofundar correlações, validar hipóteses e garantir que os passos seguintes tenham base sólida. A separação clara entre tarefas de curto e médio prazo foi apontada como essencial para que a urgência do dia a dia não consuma recursos necessários ao desenvolvimento futuro.
Projetos para 2027 e reação a mudanças externas
Além de aperfeiçoar o SF‑26, Maranello usa o período para avançar no projeto do carro de 2027. Serra reforçou que decisões regulamentares ou soluções introduzidas por rivais podem demandar reação, mas alertou para a necessidade de cautela: é preciso avaliar impactos completos antes de alterar a direção do desenvolvimento, para não comprometer escolhas de médio prazo.
Resumo
Em suma, a pausa de abril representa mais um intervalo no calendário do que uma redução de atividade na fábrica. A Ferrari segue um plano de evolução que combina desenvolvimento virtual, testes já realizados e análise aprofundada dos dados disponíveis, ao mesmo tempo em que preserva recursos para o médio prazo e mantém vigilância sobre eventuais mudanças no cenário esportivo e regulatório.
Fonte: Motorsport
