
Rodada decisiva põe 31 clubes sob pressão em rodada única
A última jornada do novo formato da Liga dos Campeões — o chamado “grupão” com 36 equipes em uma tabela única — transforma a quarta-feira em uma sequência de partidas de alto risco: às 17h (Brasília) serão disputadas 18 partidas ao mesmo tempo, e apenas uma não interfere na definição das posições.
Como funciona o novo sistema: os oito primeiros colocados garantem vaga direta nas oitavas e folga em duas datas da fase eliminatória; os clubes do 9º ao 24º lugar disputam um mata-mata preliminar para classificar mais oito equipes; do 25º ao 36º, ocupantes das últimas posições, correm risco de eliminação e, em muitos casos, já estão fora.
O impacto prático aparece na composição da rodada: dos 36 participantes, 31 entram em campo precisando de algo — seja confirmar a vaga entre os oito, assegurar a classificação direta, evitar cair fora do bloco que disputa o play-off, ou conquistar lugar entre os classificados provisórios. Apenas a partida entre Arsenal (1º) e Kairat (36º) não altera destinos, porque o líder inglês já assegurou a primeira posição e o time cazaque está eliminado.
Além do adversário do Arsenal, somente mais três clubes chegam sem qualquer chance matemática de avançar: Eintracht Frankfurt, Slavia Praga e Villarreal. Ou seja, apenas cinco dos 36 disputarão a rodada sem objetivos relevantes — e mesmo esses enfrentarão rivais motivados.
O caráter competitivo da superquarta é ressaltado por exemplos concretos: o Arsenal lidera com 21 pontos e já garantiu vantagem de decidir em casa, se avançar, até as semifinais; o Bayern, com 18 pontos, precisa ao menos de um empate contra o PSV, na Holanda, para manter a segunda colocação e a mesma vantagem de mando; o Real Madrid, com 15 pontos, corre o risco de ser ultrapassado por vários clubes em caso de derrota e terminar fora do pelotão dos oito primeiros.
Clubes tradicionais vivem situação distinta: o Napoli, campeão italiano, ocupa a 25ª posição e precisa de um resultado positivo diante do Chelsea para ascender ao bloco que disputa vaga via play-off; outros confrontos envolvendo times do topo da tabela também reservam variações importantes na ordem final.
Do ponto de vista organizacional e esportivo, a simultaneidade das partidas cumpre objetivo competitivo: evita que clubes joguem com conhecimento prévio de resultados alheios e torna a rodada mais imprevisível. Há, porém, um custo ao torcedor comum: é possível assistir presencialmente ou pela TV a apenas uma das 18 partidas ao vivo.
Há também leitura econômica: o novo formato aumenta o número de partidas de Champions, gerando receita extra para os clubes com bilheteria e merchandising — um contrapeso ao calendário mais carregado. Para times que dependem financeiramente do torneio, uma partida adicional em casa tem impacto relevante.
Se a edição de 2025 já mostrara sinais de competitividade, a superquarta de 2026 amplia essa percepção: com quase todas as partidas oferecendo algo em disputa, a rodada evidencia que a mudança no formato tem trazido noites decisivas e repercussão esportiva positiva. A única queixa persistente é a limitação do espectador em acompanhar mais de uma partida ao vivo, consequência inevitável da programação simultânea.
Fonte: Folha de S.Paulo
