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Adidas reporta forte início de ano com estoques antecipados para a Copa
A Adidas anunciou resultado do primeiro trimestre acima das expectativas do mercado, impulsionado pela demanda por produtos vinculados à Copa do Mundo e por uma recuperação nas categorias de vestuário e corrida. A companhia atribuiu parte do desempenho à decisão de priorizar a chegada antecipada dos itens relacionados ao Mundial aos seus mercados, estratégia que, segundo a empresa, evitou entraves logísticos e problemas de abastecimento.
As vendas do trimestre somaram €6,6 bilhões (aproximadamente R$38,5 bilhões) e o lucro operacional subiu 16%, para €705 milhões (cerca de R$4,1 bilhões), resultado superior à estimativa média de analistas de €647 milhões (R$3,8 bilhões). A repercussão positiva também se refletiu nas ações: os papéis da marca subiram quase 9% na manhã do anúncio, depois de terem recuado ao longo do ano passado por conta de tarifas americanas e da cautela dos consumidores.
Em chamada com jornalistas, o diretor financeiro Harm Ohlmeyer explicou que antecipar o estoque ligado ao torneio foi uma medida defensiva para reduzir riscos na cadeia de suprimentos e garantir oferta nos pontos de venda. A empresa afirmou que, sem essa movimentação, a expansão reportada no período teria sido menor.
O crescimento por categoria, porém, foi heterogêneo. O segmento de calçados mostrou avanço moderado, de 4% em termos ajustados por câmbio, com modelos clássicos como Samba e Gazelle desacelerando em comparação ao ano anterior. Em contraste, o vestuário saltou 31%, beneficiado por lançamentos locais e coleções pontuais, como jaquetas temáticas vinculadas ao Ano Novo Chinês. Produtos para corrida também contribuíram, com aumento de vendas superior a 10%, impulsionados, entre outros fatores, pela visibilidade gerada por novidades em tênis ultraleves.
Analistas do Telsey Advisory Group destacaram que a Adidas começou 2026 ganhando participação de mercado e mantendo vendas a preço cheio, fatores que, na visão do grupo, reforçam a confiança da marca em cumprir suas metas de vendas e lucro para o ano.
O CEO Bjorn Gulden apontou, no entanto, que a recuperação ainda convive com desafios regionais: a Europa segue como o mercado com maiores níveis de desconto e com consumidores mais cautelosos. Além disso, operações em parte do Oriente Médio foram afetadas por incidentes relacionados ao conflito com o Irã, que levaram ao fechamento temporário de lojas em mercados impactados; os mercados emergentes representaram 13% das vendas do trimestre.
A empresa ressaltou que a disciplina comercial — evitar o excesso de entrega de produtos aos varejistas — foi crucial para preservar margens e reduzir a necessidade de promoções em um ambiente de varejo descrito pela própria marca como “muito volátil”. Em contraponto, a rival norte-americana Nike informou recentemente que adotou promoções agressivas para reduzir estoques não vendidos.
O balanço trimestral da Adidas ilustra, assim, como fatores esportivos e decisões logísticas se combinaram para gerar um resultado superior ao esperado: um mix de antecipação logística, coleções locais bem-sucedidas e o desempenho da linha de corrida sustentaram vendas e lucro operacional, apesar de riscos geopolíticos e de desaceleração em algumas categorias de calçado.
Fonte: Folha de S.Paulo
