
Jogadoras fugiram da concentração e receberam visto humanitário
A seleção feminina de futebol do Irã deixou a Austrália nesta terça-feira (10) depois que cinco jogadoras abandonaram a concentração e obtiveram asilo no país. A delegação iraniana partiu de Sydney com destino a Kuala Lumpur, de onde seguiria viagem de retorno ao Irã, segundo relatos da imprensa australiana.
As atletas que pediram asilo — entre elas a capitã Zahra Ghanbari — deixaram o hotel da equipe na madrugada de segunda-feira e foram levadas a um local considerado seguro pela polícia australiana. O governo de Canberra aprovou pedidos de visto humanitário para as cinco jogadoras, citando o receio de que sofressem perseguição caso voltassem ao Irã.
Autoridades australianas, incluindo o ministro do Interior, Tony Burke, disseram que conversas mantidas em sigilo com as atletas nos dias anteriores ajudaram a finalizar a tramitação dos pedidos. Burke afirmou que as jogadoras podem permanecer na Austrália e foram garantidas condições de segurança.
Risco de represálias e apelos internacionais
Organizações de direitos humanos alertaram para o risco real de represálias contra as atletas. Zaki Haidari, ativista da Anistia Internacional, afirmou que as jogadoras correm perigo e que algumas famílias já podem ter sido alvo de ameaças. A imprensa local também relatou que pelo menos outras duas jogadoras teriam solicitado asilo.
A concessão de proteção às atletas suscitou envolvimento de figuras internacionais: pedidos públicos às autoridades australianas para que aceitassem os pedidos foram feitos por personalidades como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, o ex-herdeiro do xá do Irã Reza Pahlavi e a escritora J.K. Rowling, segundo relatos citados pela imprensa.
Contexto político e esportivo
As jogadoras iranianas foram alvo de críticas do regime em Teerã após não cantarem o hino nacional antes de uma partida da Copa da Ásia, episódio que levou autoridades iranianas a classificá‑las como “traidoras”. O caso ocorreu durante a participação da equipe no torneio continental, disputado na Austrália.
A delegação iraniana havia chegado à Austrália poucos dias antes de uma onda de eventos bélicos no Oriente Médio que incluiu ataques que, no relato da imprensa internacional, culminaram na morte do líder supremo Ali Khamenei no fim de fevereiro. A conjuntura política tensa no Irã ampliou a preocupação sobre a segurança das atletas que optaram por não retornar.
O time feminino do Irã disputou pela primeira vez a Copa da Ásia em 2022, na Índia, e suas jogadoras ganharam reconhecimento público em um país onde as liberdades e direitos das mulheres são frequentemente restringidos. A situação atual reabre debates sobre proteção a atletas em missões internacionais e sobre a diplomacia de proteção a pessoas em risco.
Implicações e desdobramentos
Além do impacto imediato sobre a participação da equipe no torneio, a saída das jogadoras levanta questões sobre possíveis retaliações a familiares no Irã, a segurança de outras integrantes da delegação e os mecanismos adotados por países anfitriões para responder a pedidos de asilo de atletas. As autoridades australianas sinalizaram que as cinco permanecerão no país e que suas solicitações foram tratadas sob critérios humanitários.
Até o momento não há confirmação independente sobre a situação das demais integrantes da seleção que seguiram viagem de retorno, nem sobre eventuais medidas do governo iraniano em resposta à decisão de Canberra.
Fonte: Folha de S.Paulo
