Fórmula 1

Motores Red Bull-Ford: acerto inicial ou risco?

Motores Red Bull-Ford impressionam nos primeiros testes em Barcelona A estreia das unidades de potência produzidas pela Red Bull em […]

Motores Red Bull-Ford impressionam nos primeiros testes em Barcelona

A estreia das unidades de potência produzidas pela Red Bull em Milton Keynes, em parceria com a Ford, chamou atenção durante os testes em Barcelona. Segundo relatos da própria equipe, Red Bull e Racing Bulls completaram aproximadamente 303 e 318 voltas, respectivamente — números que a equipe admite não serem oficiais — totalizando cerca de 621 passagens com o motor inédito e sem interrupções relevantes.

Resultado prático: as longas sessões em pista, ocorridas a portas fechadas, deixaram pilotos e rivais surpresos com a confiabilidade mostrada em início de programa. Para Isack Hadjar, que assume como companheiro de Max Verstappen, o desempenho decepcionou positivamente.

“Completamos mais voltas do que esperávamos. Tudo correu muito bem. Tive apenas um pequeno problema, o que é impressionante considerando que era o primeiro dia com nosso motor”, disse Hadjar após o segundo dia de trabalho.

Liam Lawson, que rodou cerca de 152 voltas pela Racing Bulls, também destacou o saldo positivo: reconheceu alguns “pequenos problemas” mas enfatizou o quanto aprendeu e a sensação encorajadora trazida pelo conjunto.

O tetracampeão Max Verstappen adotou tom mais comedido: elogiou o começo, mas lembrou que testes servem justamente para evoluir peças e que ainda há “bastante trabalho a ser feito” antes de tirar conclusões sobre desempenho em corridas.

O motor é o produto do projeto que ganhou força quando a Ford entrou na parceria em 2023. A produção em Milton Keynes marca o fim do vínculo técnico com a Honda a partir de 2026 e a tentativa da Red Bull de controlar internamente a arquitetura da unidade de potência.

Reação dos rivais: pessoas-chave de equipes concorrentes também comentaram o que viram nas jornadas de pista. George Russell afirmou que é cedo para prognósticos, mas reconheceu surpresa com a solidez aparentada da unidade. Toto Wolff e James Vowles, por sua vez, demonstraram respeito pela façanha técnica — fazer um motor do zero e obter tanta confiabilidade logo na estreia foi apontado como um mérito notável.

Mesmo com elogios externos, a matéria-prima disponível é limitada: foram apenas três dias de teste, com peças e mapas operacionais ainda em fase de ajustes. Além disso, a própria Red Bull registrou um incidente: Hadjar sofreu uma batida na terça-feira, evento isolado em um programa que, tirando esse episódio, não mostrou falhas significativas.

Em termos comparativos, a nova unidade de potência ficou como a terceira que mais rodou nos testes, atrás de Mercedes e Ferrari nas métricas de voltas acumuladas — informação que ajuda a dimensionar o quão representativo foi o volume de trabalho, mas não elimina a necessidade de validação em circunstâncias de corrida.

O cenário adiante: técnicos e chefes de equipe reiteram que dados de três dias, muitos não oficiais, não podem determinar o equilíbrio de forças para a temporada. A adoção de um motor desenvolvido internamente é um movimento estratégico de longo prazo para a Red Bull; o primeiro indicador em Barcelona é promissor, porém ainda embrionário.

Resta acompanhar as próximas sessões de pista e as etapas iniciais do calendário para avaliar consistência, desempenho em qualificação e resistência em condições de corrida. Só então será possível separar definitivamente se a aposta Red Bull-Ford será um acerto radical ou um risco que precisará ser gerido ao longo da temporada.


Fonte: Motorsport.com

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